familia

O que descrevo é ‘“uma colagem”, fragmentos de diversos textos de livros, falas ou notas de cursos de minha Formação em Constelação Familiar e Sistêmica com Peter e Tsuyuko Spelter e com Bert Hellinger no Seminário de Lindoia-SP, em 2009.

Bert Hellinger, alemão, hoje com 85 anos, filósofo e terapeuta, desenvolveu um método ou técnica de acessar o inconsciente pessoal e coletivo através de procedimentos em grupos terapêuticos. Deu-lhe o nome de Constelação Familiar (desde 1980), depois de Movimentos da Alma e agora o chama de Movimento do Espírito – Hellinger Science – uma Ciência dos Relacionamentos, junto com Sophie Hellinger.

Tem mais de um milhão de exemplares de seus livros editados pelo mundo. Veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1998. Realizou Seminários de uma semana em Goiânia 2006, em Lindoia-Sp em 2008 e 2009. Seus livros são filosóficos e a CONSCIÊNCIA é seu tema para os ensinamentos. Todo o seu trabalho é filmado em DVD.

Denominou também que seu método é fenomenológico e que não se trata de interpretação das conclusões, mas de “ver” algo acontecendo.

Através de uma frase-tema e um mínimo de informação sobre o cliente a condução do trabalho desencadeia no ambiente do grupo coisas extra-ordinárias. Na Constelação o grupo é conectado a favor da “alma“ do cliente. Os temas-conflito revelam no desenrolar da Constelação aprendizados que servem à atuação de profissionais das mais diversas áreas principalmente médicos, terapeutas, advogados de família e juízes.

 

AS ORDENS DO AMOR NA FAMILIA

Bert Hellinger descobriu, através do método, repetido milhares de vezes, e documentados em DVD, que o clã familiar através de gerações, segue o que denominou de “ordens do amor na família”.

Essas três ordens em ação nos clãs, através de gerações, exigem coesão e sobrevivência. Sinta que ao ler isso somos uma prova do que nossos antepassados fizeram. De outro modo como estar conectado agora ao que está lendo?

Hellinger observou em cada clã as ordens que são necessárias e repetidas ao longo dos anos em todos os grupos familiares. São elas: o pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio.

No Pertencimento, perpetuado pelos vínculos afetivos, por amor profundo, cada clã ou grupo familiar exige que todos os seus membros tenham o mesmo direito de pertencer. A ordem “oculta” ou inconsciente do clã exige compensação caso haja desordem e exclusão. Então, os excluídos, negados ou esquecidos devem ser representados nas gerações posteriores. A justiça não interessa à alma do clã. Uns irão tomar o lugar do excluído e farão igual na geração posterior. Aí está o destino.

Na Hierarquia do clã ninguém pode tomar o lugar do outro. A ordem é sempre dos mais antigos para os mais novos. Não se pode inverter a ordem na família e os mais novos não devem tomar a si as dores dos mais antigos. Isso enfraquece a alma dos antecessores. A desordem assim estabelecida traz desequilíbrio e doenças. Essa compensação pode atravessar de três a quatro gerações com os mesmos distúrbios.

O Equilíbrio no clã é restabelecido quando o sistema fica estável e quando o dar e o tomar se equilibram. O certo é que os pais dão e os filhos tomam – aquilo que querem. A arrogância dos filhos para com os pais não ganha sentido positivo nas suas realizações de vida. Fracassam e exigem um peso por demais excessivo.

Quando os pais dão a vida e tudo o mais os filhos tomam e agradecem e seguem adiante – isso libera. Mas o dar sempre deve ser dos mais velhos para os mais novos.

Quando há desequilíbrio na família temos uma má consciência quando nos separamos da família – sofremos e não sabemos por quê. Porém sentimos boa consciência quando estamos unidos. Para equilibrar a boa e a má consciência compensamos com ações boas ou más ações – tem um preço.

No casal os parceiros ficam juntos quando o dar e o tomar são equilibrados pela compensação. Um dá, o outro recebe e dá um pouco mais. O que recebe, toma e devolve um pouco acima do que tomou. Desse modo o equilíbrio se restabelece. O sistema fica estável. Não se aplica porém nas parcerias amorosas a mesma lei dos pais para os filhos.

O conhecimento consciente dessas ordens traz conforto e bem-estar. Com o pertencimento ficamos inocentes e estáveis. Observem que quando o sistema está instável as crianças sentem, e dizem – e o mais das vezes – sem dizer agem dentro da ordem das compensações: “deixa que eu sinta por você”; “deixa que eu morra por você”; “eu vou partir no seu lugar!”.

Um garoto de seis anos, com o pai no CTI, ao ver os membros da família fazerem fila para a doação de fígado para o pai se coloca também na fila. A avó diz: Não, aqui não é o seu lugar. Essa é uma fila de adultos. Você é uma criança. O sistema estava instável. A criança dá um passo à frente e se oferece. Diz a avó que se lembrou de uma palestra sobre Constelação e que isso serviu para recolocar um inocente no lugar que é dele. Ele se acalmou.

 

MAS AFINAL O QUE É UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?

A Constelação familiar é um modo terapêutico de impulsionar uma ação de “ordem” no clã, pois mostra qual o lugar de cada um. Não é ditame, coerção nem regras fixas, mas sempre será com amor profundo. Cada um junto com seu clã. Exerce uma profunda mudança no padrão “oculto” do cliente e que o faz sofrer. O método recoloca o amor de cada membro da família no seu lugar e por isso tira um peso da alma de quem carrega funções que não lhe competem na hierarquia. Os ancestrais, na Constelação, reconquistam o seu lugar e liberam os familiares posteriores para viver o mundo.

O método fenomenológico da Constelação pode ser considerado como uma “cirurgia espiritual” e devem ser aplicados em situações-limites, momentos críticos e difíceis. Seu método de representantes de membros da família do cliente inicia um “movimento” no campo anímico. Um sistema, e o clã é um sistema, só se modifica através de uma ação externa. A Constelação propicia o início dessa ação. Ela tem como base o amor e a percepção de algo significativo. Uma constelação familiar revela os vínculos de destino.

O trabalho realiza-se em uma única sessão e seu resultado aparece imediatamente na consciência do cliente determinando uma mudança imediata da percepção do tema do conflito. Pode ser realizada em grupo ou no consultório – individual.

“A solução de problemas psíquicos associa-se à descoberta das ligações da alma, em conexão com as ocorrências e os destinos familiares e com os grupos e os contextos maiores que os abrangem” (Jakob Robert Schneider)

 

QUEM PERTENCE À MINHA FAMÍLIA?

Os bisavós, os avós, os pais e filhos; Os irmãos e meio-irmãos; Os tios; Os que não nasceram por abortos espontâneos ou provocados – não há julgamento; Os mortos por acidentes funestos advindos de acidentes; Os esquecidos e excluídos (alcoólatras, assassinos, drogados).

 

COMO E QUANDO ME SERVE UMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR?

Algo nos atormenta repetidamente, doenças súbitas, alguém da família enlouquece e ficamos instáveis… Planos de vida fracassam… Os filhos só brigam entre si e comigo… Depressão e luto… Não consigo vender o terreno… tenho muito medo de me suicidar…

Como assim? Mas o que é isso?

Assim. O cliente que pede uma Constelação está em uma situação-limite. Irá dizer em uma frase o que deseja e qual o seu tema ao Constelador. Estará sentado ao seu lado e o grupo de voluntários espera. Pessoas do grupo são chamadas para representar os membros da família do cliente, se quiserem. O grupo não fala nem participa do processo. O cliente posiciona esses representantes no espaço central do grupo. Essa posição revela como o cliente vê seu clã familiar EM SEU INCONSCIENTE.

O Constelador ou Terapeuta observa as ações dos representantes que se movem ou não, e expressam corporalmente o que está se passando com êles. Nada mais é dito ou descrito pelo cliente que apenas observa também. Os movimentos dos representantes mostram, espacialmente, as dificuldades e seus sentimentos. (um olhar do representante do cliente expressa a sua raiva em direção ao pai, dificuldade de olhar a mãe, sinais de superioridade, de arrogância para os mais antigos, etc.)

Através de alguns rituais o relaxamento ou alívio acontece no campo de “energia” quando alguns gestos, orientados pelo Constelador, são realizadas pelo representante do cliente. Em geral, com algumas frases muito simples e breves: “Sim”; “Obrigada”; “Por favor”; “Querido papai”; “Querida mamãe”; com uma reverência profunda ou uma leve inclinação da cabeça aos nossos antecessores, sem julgamentos, com amor. Coisas que não fazemos habitualmente…

Nada é interpretado durante o processo. Não há julgamentos. O grupo não dá palpites ou conversa. Apenas assiste e dá suporte na energia. Por isso é chamado de método fenomenológico, Uma manifestação que aparece e desaparece. A “alma” do cliente entende e se sente aliviada. Algo se “movimenta” no campo representado. Muda o foco e a configuração. Mostra o novo e o antigo em conjunção para uma solução da situação-limite. “UNE O QUE ESTAVA SEPARADO” (Bert Hellinger).

É científico? Sim ou não? Devemos falar ou escrever a mesma coisa dizendo que é baseado na física quântica? Na memória celular? É DNA? (o que é isso?) Na teoria do cientista biólogo Rupert Sheldrake? Ok serve também. A Constelação se mede apenas pela solução: Melhor ou pior?

A consciência é diferente para cada campo familiar ou clã. Mas no “campo” tudo se repete sempre, como hábito para aprender e como sobrevivência. (ref.: Rupert Sheldrake – livro “O renascimento da natureza”).

Um “campo morfogenético” ou sistema só se modifica quando algo vindo de fora interfere e introduz uma ação.  A Constelação é um momento fugaz dessa interferência, porém duradoura.

O método da Constelação é algo atemporal. Os processos dos grupos familiares raramente podem ser impedidos de forma racional. Não há controle possível.

 

ENSINAMENTOS DA PRÁTICA DAS CONSTELAÇÕES

Os Bloqueios, As Doenças ou Distúrbios

Nessa prática, documentada em DVDs, Hellinger sistematizou um modo de ver os distúrbios e as doenças. Observou que as dificuldades e conflitos são da família, na comunidade de destino onde nascemos e estamos, portanto sempre “emaranhados” nessa história. A história de cada um dentro do contexto peculiar.

As doenças são olhadas como sinais de “desordem” na alma da família. Alguém está fora de seu lugar. A mesma dinâmica básica dos sintomas dos distúrbios resulta em diversas doenças. Não interprete como DNA, não conclua como “Ah! Tá bem. É assim mesmo” e não diga que não tem importância. As ordens do amor dizem respeito a cada um de nós que lê esse artigo.

Na Constelação o que se aprende é que todo distúrbio procede de um nível espiritual. O que acontece são processos inconscientes, ocultos, invisíveis e imateriais.

A manifestação do distúrbio representa uma parada do fluxo energético e o órgão atingido mostra o tipo de bloqueio. O bloqueio aparece em geral entre dois a quatro anos após o distúrbio espiritual (perdas ou fracassos no sistema). O órgão corporal atingido está em conexão com alguém excluído, não reconhecido e o órgão então trabalha em dobro – por dois ou três excluídos (ele estressa – entra em falência). Se olhar com o coração vê que o órgão está em outra dimensão mais alta. Não há desconexão entre a pessoa, seu distúrbio e o sistema familiar. E não pode haver mesmo. Somos uma ressonância de nossas experiências. Em geral tais distúrbios apresentam saídas tais como: muito trabalho e agitação, na profissão pela dedicação extremada; com a racionalidade pensando muito…; ou com negligência corporal… Ou ainda na supervalorização… Na depressão e melancolia.

O que está escrito a seguir são “notas” do livro “O amor do espírito” de Bert Hellinger e dos ensinamentos do Seminário de Lindóia, 2009. Terapeutas de família “sabem“ “sentem” “já viram” “lembram”… São fenômenos que ocorrem nas Constelações e foi observado repetidamente, que:

A GAGUEIRA – São duas pessoas tentando falar ao mesmo tempo; distúrbios da fala mostram atitudes conflitantes; existe um segredo na família. Significa que alguém foi mantido em segredo; não podia estar presente ou não teve a palavra. O gago olha primeiro para um lado, como que perguntando se pode falar.

ALCOOLISMO ou DROGAS – Esse é um assunto que tem a ver com as mulheres; O que falta ao filho ou filha? Algo falta = o pai. Pergunte-se: o que leva o homem ao bar? Hellinger aconselha a terapeutas que quando quiserem ajudar um alcoólico ou drogado acolha o pai do cliente no seu coração. A solução, nas constelações, é que o pai seja trazido de volta respeitado e considerado – mesmo bandido – não há julgamento. Um homem que tem a rejeição e desprezo de sua mulher. … Será que uma mulher (terapeuta) pode ajudar um alcoólico? Onde o pai é desprezado pela mulher aí a criança é levada para o vício.

PSORIASE – DERMATITES – HERPS – Um parceiro anterior fica de mal com a pessoa e o sentimento ruim é deslocado para um filho do segundo casamento e esse filho tem dermatites. Então como fazer as pazes com esse parceiro abandonado? Na Constelação a representante da segunda mulher deve pedir pelas suas crianças – “olhe com benevolência para os nossos filhos”

TRANSPLANTES – O órgão transplantado não morreu, pois senão como poderia entrar e funcionar em outro corpo? A doação liga as duas famílias – do doador e quem recebe. Nas Constelações os “representantes” dos órgãos gritam… Observe uma cena de sala cirúrgica. Volte sua imaginação para cenas primitivas de canibalismo. O que sente? No canibalismo comer os órgãos dos inimigos de guerra trazia força e coragem aos vencedores. Não julgue. Era uma homenagem.

Quanto à doação de sangue: parece que como é renovado freqüentemente há menores conseqüências, mas já foi observado mudança de personalidade.

A PSICOSE – ESQUIZOFRENIA – BIPOLARIDADE – Hellinger diz que “todos nós somos psicóticos”. Chamar o outro de psicótico nos qualifica como incluídos e excluímos o “louco”.

Observa-se sempre na Constelação que houve uma cena violenta e há um assassinato na linhagem dos ancestrais da família do pai ou da mãe. Sempre aparece um agressor e existe a vítima. O cliente “psicótico” que apresenta os sintomas ou distúrbios exerce ambos os papéis alternados – e mostra que a paz não foi selada nas gerações anteriores. O distúrbio pode passar de geração em geração. Nos grupos de constelação “o agressor” e a “vítima” demonstram desagrado com a vingança desejada por ambas as famílias. A solução e o alívio acontecem quando a vítima concorda com uma frase dita pelo agressor: “Sinto muito”. Isso libera as famílias do peso da vingança.

A EPILEPSIA – Há um impulso assassino em direção a membros da família e a convulsão impede o impulso.

OBESIDADE – o terapeuta corre perigo. Está entre a mãe e o cliente. E essa posição é inviável (vejam o DVD do Seminário com Bert Hellinger sobre Saúde e Doença – Ed Atman)

 

DESTINOS, PROFISSÃO E SUCESSO

NA PROFISSÃO EXERCIDA TODO O PASSADO SE REVELA

Por quê? Porque talentos e habilidades são herdados – são heranças, são “dons”, presentes de nossos antepassados (gostamos de ser o que somos por nós mesmos. Os pais gostam disso. Sim, houve empenho, mas olhe à volta. Estamos sós?)

Quando o trabalho é um peso ou alegria? Quem pode viver sem sucesso? Quem não tem sucesso como se sente? Depois do sucesso o homem pode alimentar a família; o homem foi feito para isso – sem julgamentos, olhe à volta.

Como se sente o homem em casa e a mulher trabalhando?

Para o homem o trabalho vem em primeiro lugar (as mulheres pedem o impossível – que o homem coloque a família em primeiro lugar ) – eles concordam, mas sabem que o trabalho é mais importante; sabe que pode alimentar e ter a sua família. E até várias famílias! As mulheres sabem disso. Pergunte se gostam de ter o homem sem trabalho em casa.

 

O DINHEIRO

O dinheiro deve ser empregado a serviço da vida, pois o dinheiro é uma imagem da vida e quem desrespeita o dinheiro desrespeita a vida. O dinheiro é sempre representado nas Constelações por uma mulher – por quê? Porque o dinheiro é fértil.

O sucesso dos negócios e na profissão vem com a bênção da mãe. Sem isso só há fracassos, pois o dinheiro tem a imagem da mãe; quem rejeita a mãe permanece pobre.

A mulher segue o marido e o homem serve ao feminino; nas organizações quando a mulher organiza e o homem segue, dá errado. Um genro que usa o dinheiro do sogro em geral leva o negócio à falência. O homem que vai morar na casa dos pais da mulher em geral leva o relacionamento ao fracasso. Pois é.

O dinheiro é adquirido através de algo que fazemos; dinheiro vindo pelo nosso empenho nos faz feliz e serve a vida, mas, como a vida, o dinheiro quer ser gasto a serviço da vida. O dinheiro herdado não foi por empenho ou trabalho – por isso acontecem falências. É mais fácil de gastar.

Por isso despedir-se do campo da pobreza e movimentar-se em direção ao campo da riqueza é uma conquista espiritual.

E o Movimento do Espírito, aquele do título inicial?  Para mim aparece quando os representantes da família do cliente expressam exatamente os sentimentos dos seus membros sem nada saber do cliente e de sua história pessoal!

Muito obrigada pela sua atenção. Quem leu até agora já sabia disso tudo.

 

Marcia Moss

Referências: Hellinger, Bert “O amor do espírito” Editora Atman (veja livros, artigos e DVDs)

A base desse artigo foi inicialmente preparado para uma palestra sobre Universo do Corpo no Século XXI: abordagens terapêuticas funcionais e expressivas, na Casa do Rio, de Martha Zanetti.